Prezado desconhecido,
Pelo tom nada amistoso de suas palavras, sinto que a melhor maneira de responder esta verborragia é fazer uso de um projeto de livro que ainda amadurece no cerne deste humilde filósofo. Tenho dúvidas a respeito do titulo, mas se eu não mudar de opinião, coisa rara, ele se chamará Eristische Dialektik, traduzindo para sua língua: Dialética Erística. A idéia é analisar a arte de discutir, discutir de forma a vencer um debate, quer se esteja certo ou errado, por meios lícitos ou ilícitos. Uma de minhas observações diz respeito à utilização de uma argumentação aparente, ou seja, quando o adversário faz uso de um argumento aparente, é melhor contra atacar com outro argumento aparente. Desta forma, obscuro amigo (pela rotulação detestável que lhe emprego agora, outra de minhas observações quando: em vez de argumentar intelectualmente, procurando o que há de verdade e mentira no discurso alheio, eu posso simplesmente rotular o meu adversário, tirando-lhe o direito de fala), posso dizer que assim como o homem carrega o peso do próprio corpo sem o sentir, mas sente o de qualquer outro corpo que quer mover, também não nota os próprios defeitos e vícios, mas só os dos outros. Entretanto, cada um tem no seu próximo um espelho, no qual vê claramente os próprios vícios, defeitos, maus hábitos e repugnâncias de todo o tipo. Porém, na maioria das vezes, faz como o cão, que ladra diante do espelho por não saber que se vê a si mesmo, crendo ver outro cão.
Quem critica os outros trabalha em prol da sua própria melhoria. Portanto, quem tem a inclinação e o hábito de submeter secretamente a conduta dos outros, e em geral também as suas ações e omissões, a uma atenta e severa crítica, trabalha na verdade em prol da própria melhoria e do próprio aperfeiçoamento, pois possui o suficiente de justiça, ou de orgulho e vaidade, para evitar o que amiúde censura com tanto rigor.
A. S.
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